EDUCAÇÃO ESCOLAR INDÍGENA NA TERRA INDÍGENA MÃE MARIA NO SUDESTE PARAENSE COMO FERRAMENTA DE RESISTÊNCIA CULTURAL

Autores

DOI:

https://doi.org/10.29280/rappge.v11i1.18313

Palavras-chave:

Educação Escolar Indígena, Resistência Cultural, Povos Gavião, Políticas Públicas, Interculturalidade

Resumo

Este artigo analisa a educação escolar indígena na Terra Indígena Mãe Maria, localizada em Bom Jesus do Tocantins (PA), sob a perspectiva das relações entre o Estado ampliado, hegemonias e a resistência cultural do povo Gavião. A pesquisa qualitativa baseou-se em revisão bibliográfica e análise documental, visando compreender como as políticas públicas e as práticas pedagógicas influenciam a construção de uma educação específica, diferenciada, bilíngue e intercultural. Os resultados evidenciam que, apesar das tentativas de homogeneização cultural, as comunidades indígenas têm promovido ações de resistência e fortalecimento de suas identidades por meio da educação. Essa análise revela não apenas os impactos das políticas estatais sobre a educação indígena, mas também destaca o protagonismo dos povos Gavião na construção de alternativas pedagógicas que reafirmam suas identidades. A educação, nesse contexto, torna-se instrumento de luta, memória e continuidade dos saberes ancestrais diante das hegemonias.

Biografia do Autor

Marlene Borges de Carvalho, Universidade Estadual do Amazonas (UEA)

Doutoranda em Educação na Amazônia - EDUCANORTE-UFAM-Universidade Federal do Amazonas / UEA-Universidade do Estado do Amazonas (2023-2027); Mestre em Letras UNIFESSPA-Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará (2018-2020); Especialista em Língua Inglesa (FIJ); Língua Espanhola (FIJ); Educação a Distância; Gestão, Coordenação, Planejamento e Avaliação Escolar (INTA_FID).

Mauro Gomes da Costa, Universidade do Estado do Amazonas (UEA)

Professor Associado A da Universidade do Estado do Amazonas/UEA. Doutor em Educação pela Universidade Estadual de Campinas-UNICAMP; Mestrado em Educação pela Universidade Federal do Amazonas/UFAM (2004); Especialização em Metodologia do Ensino Superior pela Universidade Federal do Amazonas/UFAM (2001); Graduação em Filosofia pela Universidade Católica de Brasília (1996); Professor e orientador do Mestrado em Educação em Ciências na Amazônia, Mestrado em Educação e do Doutorado do Programa de Pós-Graduação em Educação na Amazônia (PGEDA/EDUCANORTE - Edital 002/2022); Coordenador do Mestrado Acadêmico em Educação em Ciências na Amazônia (2019-2021). Vice-Coordenador do Mestrado Acadêmico em Educação-PPGED/UEA (2022-). Líder do Grupo de Pesquisa Fundamentos da Educação e Ensino de Ciências - GPFEEC. Editor da Revista Areté (Manaus) (2021). Membro do Corpo Editorial da Areté (2017-2022) Tem experiência no ensino de filosofia (ensino médio e superior), história da educação atuando principalmente nos seguintes temas: filosofia, ensino de filosofia, filosofia da educação, história da educação, filosofia política, povos indígenas do Rio Negro (AM), missões religiosas, educação em ciências.

Robson Messias Lucas Santos, Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará (UNIFESPA)

Graduando em Educação do Campo com ênfase em Ciencias Sociais; Cineasta e Fotógrafo de profissão e pesquisador dos Povos Gavião e Parakanã - Sudeste Paraense e do Povo Guajajara do Maranhão.

José Vicente Souza Aguiar, Universidade do Estado do Amazonas (UEA)

Graduação em História pela Universidade Federal do Amazonas (1993), mestrado em Sociedade e Cultura na Amazônia pela mesma Universidade (2000), Especialização em Políticas Governamentais, Desenvolvimento Sustentável pela Universidade do Estado do Amazonas/UEA e doutorado em Educação pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Desenvolve estudos e pesquisas mobilizando os suportes teóricos fenomenológicos, estabelece aproximações aos estudos da Filosofia da Diferença nas áreas da Educação e do Ensino de Ciências. Dedica-se as seguintes temáticas: processos educativos em espaços escolares e não escolares; saberes tradicionais; fundamentos epistêmicos do ensino de ciências e da educação; corporeidades negras, indígenas e das diferentes orientações sexuais. Atualmente é professor da Universidade do Estado do Amazonas, encontra-se atuando na Graduação de Pedagogia, no Mestrado em Educação em Ensino de Ciências na Amazônia, no mestrado em Educação da UEA, no doutorado Rede Amazônica de Ensino de Ciências e Matemática- Reamec e no doutorado em Educação em Educação na Amazônia - EducaNorte. Entre 2017-2019 foi Coordenador do Mestrado em Educação e Ensino de Ciências na Amazônia; desde 2020 exerce a função de Coordenador do Programa de doutorado em Educação na Amazônia Educanorte, Polo Manaus- UEA. É professor de acompanhamento de estágio pós-doutoral e bolsista de produtividade em CTI Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas-FAPEAM.

Elsa Georgina Aponte Sierra, Universidad Pedagógica y Tecnológica de Colombia (UPTC)

Professora da Escola de Psicopedagogia da Universidade Pedagógica e Tecnológica da Colômbia (UPTC).
Doutora em Educação – UPTC – RUDECOLOMBIA.
Mestre em Educação – Universidade Externado da Colômbia.
Especialista em Necessidades de Aprendizagem em Leitura, Escrita e Matemática – UPTC.
Licenciada em Psicologia Educacional – Universidade Pedagógica e Tecnológica da Colômbia.

Coordenadora da Área de Educação: Mestrado em Educação, com ênfase em aprofundamento e em pesquisa, e da Especialização em Necessidades de Aprendizagem em Leitura, Escrita e Matemática.
Cofundadora do projeto educativo Fundación Pedagógica RAYUELA, um espaço de educação formal baseado na construção da diferença.

Referências

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Publicado

07-02-2026

Como Citar

CARVALHO, Marlene Borges de, COSTA, Mauro Gomes da, SANTOS, Robson Messias Lucas, AGUIAR, José Vicente Souza, SIERRA , Elsa Georgina Aponte Sierra. EDUCAÇÃO ESCOLAR INDÍGENA NA TERRA INDÍGENA MÃE MARIA NO SUDESTE PARAENSE COMO FERRAMENTA DE RESISTÊNCIA CULTURAL. Revista Amazônida: Revista do Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Federal do Amazonas, v. 11, n. 1, p. 1–15, 2026. Disponível em: . Acesso em: 12 fev. 2026.