REACENDER A LÍNGUA DAS PEDRAS, DAS FLORESTAS, DOS BICHOS E DOS ENCANTADOS: POR UMA ABORDAGEM CONTRACOLONIAL NO TERRITÓRIO DE ETNOCONHECIMENTOS INDÍGENAS
REKINDLING THE LANGUAGE OF THE STONES, THE FORESTS, THE ANIMALS, AND THE ENCHANTED BEINGS: TOWARD A COUNTERCOLONIAL APPROACH IN THE TERRITORY OF INDIGENOUS ETHNOKNOWLEDGES
DOI:
https://doi.org/10.29281/rd.v13i27.18886Palavras-chave:
língua portuguesa; colonialismo; línguas indígenas; contracolonial; etnoconhecimentos indígenasResumo
A língua portuguesa chegou ao território Pindorama - hoje chamado Brasil, como fio de uma história marcada pelos genocídios e epistemicídios dos povos. Em seu rastro, silenciaram-se, ou tentaram calar centenas de línguas originárias maternas que sustentam mundos, cosmologias e modos de viver dos povos indígenas. Esse silenciamento, longe de ser apenas passado, perpetua-se por meio de práticas pedagógicas normativas que naturalizam uma hegemonia linguística que desconsidera os universos linguísticos das comunidades indígenas do país. Inspirados nos pensamentos de Davi Kopenawa (2015), Linda Smith (2018), Ailton Krenak (2022), Walter Benjamin (1987), Aníbal Quijano (2005), Walter Mignolo (2008), Antônio Bispo dos Santos (2023) entre outros, que compartilham uma perspectiva crítica da colonialidade, propomos nestas referências, a seguinte reflexão: é possível que o ensino da língua portuguesa se afaste do estatuto colonizador e se abra em propagações de escuta/aprendizagens implicados aos territórios de etnoconhecimentos indígenas? Em A Queda do Céu, Kopenawa nos ensina que a língua é corpo, terra, espírito e memória, em sua oralidade a palavra carrega o mundo. Nesse entendimento, defendemos que ensinar a língua portuguesa consiste em sentar-nos nos bancos de canoa navegando em rios sem fim dos ameríndios, buscando a vitalidade das línguas em outros modos de existência. Assumir esse compromisso ético significa romper com a lógica homogeneizadora e afirmar, no campo do ensino, uma educação linguística plural, viva e enraizada na complexidade histórica e cultural do Brasil.
Downloads
Referências
CASTRO, Eduardo Viveiro. Metafísicas Canibais. Elementos para uma antropologia pós-estrutural. São Paulo: Ubu Editora, n-i edições, 2018.
_________. Perspectivismo e multinaturalismo na América Indígena. Cadernos do departamento de filosofia da PUC-Rio - o que nos faz pensar? Rio de Janeiro, nº18. 2004.
FARACO, Carlos Alberto. Linguagem e identidade. São Paulo: Parábola Editorial, 2001.
HALL, Stuart. A identidade cultural na pós-modernidade. Rio de Janeiro: DP&A, 2006.
KAYAPÓ, Edson. A diversidade sócio cultural dos povos indígenas do Brasil: o que a escola tem a ver com isso? In: Culturas indígenas, diversidade e educação / Sesc - Departamento Nacional. 158 p. Educação em rede. Volume 7. Rio de Janeiro, 2019.
KOPENAWA, Davi; ALBERT, Bruce. A queda do céu: palavras de um xamã yanomami. São Paulo: Companhia das Letras, 2015.
KRENAK, Ailton. Ideias para adiar o fim do mundo. São Paulo: Companhia das Letras, 2019.
LARROSA, Jorge Bondia. Linguagem e educação depois de Babel. In: Larrosa, Jorge. Pedagogia Profana: danças, piruetas e mascaradas. Belo Horizonte: Autêntica, 2002, p. 17-33.
MIGNOLO, Walter. Epistemic disobedience and the decolonial option: A manifesto. Transmodernity: Journal of Peripheral Cultural Production of the Luso-Hispanic World, v. 1, n. 2, 2011 (versão preliminar em espanhol: 2008).
MIRANDA, Marina Rodrigues; LEÃO, Rafaela Capela; SERAFIM, Nadia. Etnometodologias circulares: cosmologias de conhecimentos de territórios originários e comunidades de tradição. In: Metodologias da Pesquisa e da Formação na Educação do Campo. BRANDÃO, Carlos Rodrigues; FOERSTE, Erineu; GERKE Janinha (Orgs.). Curitiba, Editora Appris. 2023.
QUIJANO, Aníbal. Colonialidade do poder, eurocentrismo e América Latina. In: Lander, E. (org.). A colonialidade do saber: eurocentrismo e ciências sociais. Perspectivas latino-americanas. CLACSO, 2005, p. 107-130.
SANTOS, Antônio. Bispo. As fronteiras entre o saber orgânico e o saber sintético. In: OLIVA, A. R. et al. Tecendo redes antirracista: Áfricas, Brasis, Portugal. Belo Horizonte: Autêntica Editora, 2019. p. 23-35; 90-112.
SMITH, Linda Tuhiwai. Descolonizando metodologias: pesquisas e povos indígenas. Tradução de Roberto G. Barbosa. Curitiba: Ed. UFPR, 2018. 239 p.
Downloads
Publicado
Como Citar
Edição
Seção
Licença
Copyright (c) 2025 Marina Rodrigues Miranda Miranda, Martanézia, Fábio Guss

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution 4.0 International License.
Todos os artigos desta revista obedecem a licença Creative Commons - Attribution 4.0 International (CC BY 4.0).





















