ESTADO AMPLIADO E HEGEMONIA BURGUESA: A FUNDAÇÃO ROBERTO MARINHO E A CONSTRUÇÃO DO CONSENSO CAPITALISTA
DOI:
https://doi.org/10.29280/rappge.v10i2.18234Palavras-chave:
Fundação Roberto Marinho, Aparelho privado de hegemonia, EstadoResumo
Este artigo tem como objetivo uma análise crítica da dominação burguesa na sociedade brasileira. Para tal, considera-se o conceito gramsciano de Estado Ampliado como importante ferramenta metodológica para a compreensão da realidade. Buscaremos assinalar como a Fundação Roberto Marinho (FRM), de propriedade das Organizações Globo, atua como um verdadeiro aparelho privado de hegemonia de caráter empresarial. Consideramos que é impossível dissociar os objetivos da fundação dos interesses dos proprietários do maior complexo midiático corporativo do Brasil, uma vez que os projetos e os vínculos da FRM demonstram que os objetivos estabelecidos possuem articulação direta com os valores empresariais dominantes. A função social exercida por um órgão como a FRM pode ser compreendida como uma estratégia burguesa que tem como objetivos a reconfiguração do papel do Estado para a apropriação privada de recursos públicos, a propagação da ideologia privatista e, principalmente, educar o consenso da sociedade para a reprodução da ordem do capital.
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