APRENDIZAGEM AO LONGO DA VIDA NO CONTEXTO DAS CONFERÊNCIAS MUNDIAIS DE EDUCAÇÃO E SUAS DETERMINAÇÕES NA POLÍTICA DE EDUCAÇÃO DE ADULTOS NO BRASIL
DOI:
https://doi.org/10.29280/rappge.v10i2.18471Palavras-chave:
UNESCO, Aprendizagem ao longo da vida, Educação de Jovens e AdultosResumo
A problemática da Educação de Jovens e Adultos (EJA) está cada vez mais associada ao conceito de aprendizagem ao longo da vida, devido à incorporação de diretrizes internacionais ao ordenamento jurídico nacional e às políticas educacionais. Este artigo analisa como o conceito de aprendizagem ao longo da vida se tornou hegemônico nos relatórios das Conferências Internacionais de Educação de Adultos (CONFINTEAs) e seus impactos nos marcos regulatórios e na estrutura da EJA no Brasil. A pesquisa, fundamentada no materialismo histórico-dialético, articula levantamento bibliográfico e análise documental de diretrizes internacionais e legislações pertinentes à EJA. Conclui-se que a educação proposta para jovens e adultos tem perdido seu caráter integral em espaços escolares, sendo substituída por uma concepção de aprendizagem ao longo da vida focada no aspecto econômico, entendida como atualização contínua para o mercado de trabalho, cuja responsabilidade recai principalmente sobre os indivíduos e cuja oferta é destinada ao setor privado, o que atende a seus interesses ideológicos e econômicos.
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