ESTADO AMPLIADO E HEGEMONIA BURGUESA: A FUNDAÇÃO ROBERTO MARINHO E A CONSTRUÇÃO DO CONSENSO CAPITALISTA

Autores

DOI:

https://doi.org/10.29280/rappge.v10i2.18234

Palavras-chave:

Fundação Roberto Marinho, Aparelho privado de hegemonia, Estado

Resumo

Este artigo tem como objetivo uma análise crítica da dominação burguesa na sociedade brasileira. Para tal, considera-se o conceito gramsciano de Estado Ampliado como importante ferramenta metodológica para a compreensão da realidade. Buscaremos assinalar como a Fundação Roberto Marinho (FRM), de propriedade das Organizações Globo, atua como um verdadeiro aparelho privado de hegemonia de caráter empresarial. Consideramos que é impossível dissociar os objetivos da fundação dos interesses dos proprietários do maior complexo midiático corporativo do Brasil, uma vez que os projetos e os vínculos da FRM demonstram que os objetivos estabelecidos possuem articulação direta com os valores empresariais dominantes. A função social exercida por um órgão como a FRM pode ser compreendida como uma estratégia burguesa que tem como objetivos a reconfiguração do papel do Estado para a apropriação privada de recursos públicos, a propagação da ideologia privatista e, principalmente, educar o consenso da sociedade para a reprodução da ordem do capital.

Biografia do Autor

Otávio Augusto Cunha, Universidade Federal Fluminense (UFF)

Doutor em História pelo Programa de Pós Graduação em História da Universidade Federal Fluminense (PPGH - UFF), Mestre em Comunicação e Cultura pelo Programa de Pós Graduação da Escola de Comunicação da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (ECO - UFRJ).

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Publicado

29-08-2025

Como Citar

CUNHA, Otávio Augusto. ESTADO AMPLIADO E HEGEMONIA BURGUESA: A FUNDAÇÃO ROBERTO MARINHO E A CONSTRUÇÃO DO CONSENSO CAPITALISTA . Revista Amazônida: Revista do Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Federal do Amazonas, v. 10, n. 2, p. 1–14, 2025. Disponível em: . Acesso em: 30 ago. 2025.