LITERATURA E ECOCRÍTICA: O PARADOXO DA SOBREVIVÊNCIA EM A VIDA NÃO É ÚTIL E KUJÁN E OS MENINOS SABIDOS, DE AILTON KRENAK:
LITERATURE AND ECOCRITICISM: THE PARADOX OF SURVIVAL IN A VIDA NÃO É ÚTIL AND KUJÁN E OS MENINOS SÁBIOS, BY AILTON KRENAK
DOI:
https://doi.org/10.29281/rd.v14i29.18373Palavras-chave:
Ailton Krenak; Ecocrítica; Literatura indígena; Paradoxo da sobrevivência; CosmologiasResumo
Este trabalho tem por objetivo refletir sobre o paradoxo da sobrevivência humana a partir de uma leitura ecocrítica de A vida não é útil e Kuján e os meninos sabidos, de Ailton Krenak. Ambas as obras propõem um deslocamento do antropocentrismo moderno ao interpelar modos de vida que priorizam o consumo, a produtividade e o domínio sobre a natureza, deslegitimando a vida em sua dimensão coletiva, ancestral e simbólica. Krenak reivindica um outro modo de habitar o mundo, em que a existência não se reduza a uma lógica utilitarista e predatória. Em A vida não é útil, esse questionamento é feito por meio de crônicas e reflexões filosófico-poéticas que desnaturalizam a ideia de progresso e nos convocam a repensar o sentido da vida humana na Terra. Já Kuján e os meninos sabidos reencena, em forma de narrativa oral, um rito de passagem simbólico: a travessia de um rio por jovens que precisam abandonar a ilusão do humano como centro do universo para aprender com a escuta, a água, os sonhos e os seres não humanos. Ambas as obras operam um resgate da cosmovisão indígena e da sabedoria dos povos originários, tensionando os valores da modernidade ocidental. Com base na Ecocrítica e no pensamento de Krenak, a literatura surge como ferramenta de resistência, reconexão e cuidado com a vida, ao evidenciar que sobreviver sem sentido é também uma forma de morrer.
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