v. 12 n. 2 (2020): O Complexo Madeira: diálogos interdisciplinares sobre região, fronteiras e diversidades

Nas últimas décadas, a concepção de História Regional passou a se constituir como importante campo de estudos ao valorizar espaços sócio-históricos considerados periferias dos centros de tomadas de decisões políticas. Ao privilegiar noções como região, territorialidade, fronteira, etnicidade, dentre outras, a História Regional têm possibilitado a valorização de espaços até então invisibilizados por análises historiográficas generalizantes. O desdobramento destas últimas têm sido, em muitos casos, a construção de representações esvaziadas de especificidades sócio-históricas, as quais negligenciam as características de determinados espaços regionais marginalizados pelas estruturas das organizações sociais hierarquizantes e pelas tendências geopolíticas hegemônicas e homogeneizadoras.

Considerando as reflexões apresentadas pelo editorial da Revista de História Regional (RHR), periódico do Programa de Pós-Graduação em História da Universidade Estadual de Ponta Grossa, a noção de “região” pode ser concebida como “uma produção de diferentes grupos, classes e culturas que a constroem mediante determinadas vivências e representações. [Assim,] uma região é tanto um espaço físico, ambiental e material quanto um espaço imaginário, simbólico e ideológico. E uma dimensão é inseparável da outra” (RHR, 2019).1 Nesse sentido, a proposta do presente dossiê é reunir trabalhos que se debrucem sobre as especificidades presentes na região denominada por Alfredo Vagner Berno de Almeida (2009) de “Complexo Madeira”2. As representações sobre esta parte da Amazônia compreendem diferentes espaços e perspectivas que informam particulares relações sócio-históricas desenvolvidas ao longo das relações de contato entre diferentes sujeitos e coletivos. Além disso, o espaço relacionado, inclui regiões fronteiriças entre os atuais estados do Amazonas, Rondônia e Acre, assim como áreas relacionadas ao Vale do Guaporé até a fronteira com a Bolívia, partindo de uma perspectiva que privilegia a História Regional e evidencia diferentes relações estabelecida na região.

Dessa forma, o presente dossiê se propõe a privilegiar trabalhos que dialoguem com temáticas relacionadas às populações tradicionais e urbanas (indígenas; ribeirinhos, quilombolas e trabalhadores do campo); implantação de projetos desenvolvimentistas (ferrovias, rodovias, hidrelétricas, etc.) e seus consequentes impactos socioambientais; exploração mineral; colonizações e relações de produção; Projetos Integrados de colonização recente, seus empreendimentos e impactos socioambientais; processos migratórios e des/re/territorialização no Complexo Madeira, dentre outros correlacionais.

1As publicações feitas pela Revista de História Regional desde 1996 e demais informações sobre o periódico podem ser acessadas através do endereço: https://www.revistas2.uepg.br/index.php/rhr/index; Acesso em: 14 nov. 2019.

2DE ALMEIDA, Alfredo Wagner Berno (Org.). Conflitos sociais no" Complexo Madeira". Manaus: Projeto Nova Cartografia Social da Amazônia/UEA Edições, 2009. Disponível em: https://www.academia.edu/9030621/Conflitos_sociais_no_Complexo_Madeira_; Acesso em: 14 nov. 2019.

Publicado: 2021-01-22

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