Relatórios para mostrar, certificados para garantir:
reflexões sobre o desenvolvimento sustentável na indústria siderúrgica
DOI:
https://doi.org/10.29327/2791822.10.2-6Palavras-chave:
Antropologia do capitalismo, Desenvolvimento Sustentável, Governança corporativa, Indústria siderúrgicaResumo
O setor siderúrgico é, atualmente, um dos maiores responsáveis pela emissão de gases de efeito estufa na atmosfera. Apesar disso, muito se tem falado sobre um novo caminho sustentável para essa indústria. O seu desenvolvimento, desde os anos 1980, fez com que a siderurgia brasileira se expandisse e se inserisse dentro das dinâmicas de mercados globais e de corporações multinacionais. Junto a isso, cresceram também seus impactos socioambientais e as dificuldades de regulação de suas atividades. Este cenário favoreceu a produção de políticas de uma governança corporativa, onde relatórios, indicadores e certificados foram transformados pelas empresas em tecnologias para o acompanhamento de suas práticas e a garantia de seus compromissos. Neste sentido, este artigo propõe uma análise dos relatórios de sustentabilidade produzidos pelo Instituto Aço Brasil, organização que representa as maiores empresas siderúrgicas do Brasil, olhando para as estratégias de produção de indicadores e o que estes são capazes de informar sobre a indústria e seu desenvolvimento. A partir da noção de “economia das aparências” proposta por Anna Tsing, esta reflexão procurou mostrar como relatórios, indicadores e certificados internacionais de sustentabilidade se apresentam enquanto parte de uma performance dramática que não necessariamente reflete uma mitigação dos impactos socioambientais da indústria.
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