Pagamento por serviços ecossistêmicos: as limitações e equívocos dos instrumentos econômicos de valoração da natureza

Autores/as

  • Glaubécia Teixeira da Silva Universidade do Estado do Amazonas
  • Elenise Faria Scherer Universidade Federal do Amazonas

DOI:

https://doi.org/10.29327/233099.12.1-7

Palabras clave:

serviços ecossistêmicos, economia verde, valoração

Resumen

Os serviços ecossistêmicos são condições ou processos pelos quais os ecossistemas naturais e as espécies que neles vivem sustentam a vida humana e garantem a permanência dos demais elementos do ambiente. Cada ecossistema possui uma dinâmica de funcionamento distinta, atribuir uma escala de importância entre os vários níveis de serviços, leva à adoção de uma lógica capitalista em que alguns ecossistemas passam a ser considerados mais valiosos que outros. O Pagamento por Serviços Ambientais considera, em geral, o custo de recuperação de um serviço ambiental subestimando-se os custos de manutenção dos ecossistemas que os provém, o valor de existência e os custos sociais. Ao restringir-se ao valor de utilidade dos recursos ambientais ou dos serviços ecossistêmicos individualmente, os instrumentos de valoração não consideram a complexidade do sistema ambiental. Assim, os pagamentos por serviços ecossistêmicos enfrentam obstáculos econômicos, político-institucionais e informacionais que dificultam ou inviabilizam a sua implementação. Essas dificuldades ocorrem em função das falhas tanto do mercado quanto da intervenção pública. Diante do exposto, cabe questionar se os instrumentos econômicos estabelecidos para valorar estes serviços ambientais são eficientes e eficazes no sentido de mensurar todo o custo do processo que envolve a manutenção dos serviços ecossistêmicos em sistemas complexos na Amazônia. O presente artigo fundamenta-se numa revisão de literatura relacionada aos temas serviços ecossistêmicos e o uso de instrumentos econômicos de valoração ambiental. Pretende-se analisar, à luz da epistemologia ambiental, como os instrumentos econômicos de pagamento por serviços ecossistêmicos podem configurar-se em mecanismos de controle e valoração/precificação da natureza e ressaltar a necessidade de desconstrução das relações que as populações tradicionais estabelecem entre si, bem como a forma que se apropriam dos recursos naturais, tendo como base os pressupostos teóricos que dão sustentação às discussões sobre a chamada economia verde e o entendimento da complexidade sistêmica do ambiente. Dessa forma, pretende-se discutir o grande desafio da atualidade: a adequação dos instrumentos econômicos, no sentido de englobar a totalidade dos serviços ecossistêmicos e as mudanças nas formas de intervenção pública nos modos de vida das populações tradicionais e das questões ambientais em âmbito global.

Descargas

Los datos de descargas todavía no están disponibles.

Biografía del autor/a

Glaubécia Teixeira da Silva, Universidade do Estado do Amazonas

Doutoranda do Programa de Pós-Graduação em Ciências do Ambiente e Sustentabilidade na Amazônia – PPG/Casa. Professora da Universidade do Estado do Amazonas.

Elenise Faria Scherer, Universidade Federal do Amazonas

Professora doutora do Programa de Pós-Graduação em Ciências do Ambiente e sustentabilidade na Amazônia – PPG/Casa.

Citas

ABRAMOWAY, Ricardo. Desenvolvimento sustentável: qual a estratégia para o Brasil. Novos Estudos, 87, 2 010.CANDOTTI, Ennio. Notas sobre os serviços meio-ambientais. In: AMAZONAS. Governo do Estado. O valor dos serviços da natureza: subsídios para políticas públicas de serviços ambientais no Amazonas / Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável. Manaus: SDS / Ceclima, 2010.CECHIN, Andrei;PACINI, Henrique. Economia verde: por que o otimismo deve ser aliado ao ceticismo da razão. Estudos Avançados, 26 (74), 2012.EUROPEAN COMMUNITIES. A economia dos ecossistemas e da biodiversidade:um relatório preliminar. Reino Unido: Cambridge, 2008.FARLEY, Joshua; COSTANZA, Robert. Payments for ecosystem services: from local to global. Ecological Economics, 69 (2010)2.060-2.068. Disponível em: . Acesso em: maio de 2012.FAZ – FUNDAÇÃO AMAZONAS SUSTENTÁVEL. Relatório de gestão 2008. Disponível em: < http://www.fas-amazonas.org/pt/useruploads/files/relatorio_ gestao_2008.pdf> Acesso em outubro de 2011.GEEA, Grupo de Estudos Estratégicos Amazônicos. Mudanças climáticas, água no mundo moderno, biodiversidade amazônica. VAL, Adalberto Luís; SANTOS, Geraldo Mendes dos (Orgs.). Manaus: Inpa, 2008.HERRERO, Luis M. Jiménez. Desarrollo sostenible y economía ecológica: integración médio ambiente-desarrollo y economia-ecología. Madrid: Editorial Síntesis S/A , 2 0 0 7.JATOBÁ, Sérgio Ulisses; CIDADE, Lúcia Cony; VARGAS, Glória Maria. Ecologismos, ambientalismo e ecologia política. Sociedade e Estado, Brasília, v. 24, n.º 1, p. 47-87, jan./abr., 2009.K HOU RY. Substitutivo ao Projeto de Lei n.º 792, de 2007. Disponível em: <http://www.camara.gov.br/sileg/integras/825489.pdf>LEFF, Enrique. Saber ambiental: sustentabilidade, racionalidade, complexidade, poder. Tradução: Lúcia Mathilde Endlich Orth. 8.ª ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 2 011.LOVELOCK, James. Gaia: cura para um planeta doente. Trad: Aleph Teruya Eichemberg e Newton Roberval Eichemberg. São Paulo: Cultrix, 2006.MOTA, José Aroudo. O valor da natureza: economia e política dos recursos ambientais. Rio de Janeiro: Garamond, 2001.NETO, Alexandre Shigunov; CAMPOS, Lucila M. de Souza; SHIGUNOV, Tat iana. Fundamentos da Gestão Ambiental. Rio de Janeiro: Editora Ciência Moderna Ltda., 2009.PNUMA – Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente. Caminhos para o desenvolvimento sustentável e a erradicação da pobreza – síntese para tomadores de decisão, 2011.SACHS, Ignacy. Desenvolvimento: includente, sustentável, sustentado. Rio de Janeiro: Garamond, 2008.WUNDER, Sven; BÖRNER, Jan; TITO, Marcos Rügnitz; PEREIRA, Lígia. Pagamentos por serviços ambientais: perspectivas para a Amazônia Legal. Brasília: MMA, 2008.

Publicado

2026-02-01

Cómo citar

SILVA, G. T. da; SCHERER, E. F. Pagamento por serviços ecossistêmicos: as limitações e equívocos dos instrumentos econômicos de valoração da natureza. Somanlu: Revista de Estudios Amazónicos, Manaus, v. 12, n. 1, p. p. 153–172, 2026. DOI: 10.29327/233099.12.1-7. Disponível em: //www.periodicos.ufam.edu.br/index.php/somanlu/article/view/464. Acesso em: 2 feb. 2026.

Número

Sección

Artículos