Da roça para a cidade e da cidade para a comunidade
circulação de mulheres indígenas para vender e comprar na tríplice fronteira
DOI:
https://doi.org/10.29327/2791822.10.2-12Palavras-chave:
Mulheres indígenas; dinheiro; comércioResumo
A circulação e a mobilidade de pessoas na tríplice fronteira amazônica entre Brasil, Peru e Colômbia configuram-se como práticas recorrentes e intensas. Esses deslocamentos ocorrem por múltiplos motivos, sendo a comercialização de produtos alimentícios, agrícolas e industrializados, um dos principais. Tal dinâmica é realizada cotidianamente por diferentes agentes sociais – homens e mulheres indígenas e não indígenas, residentes tanto nas sedes municipais quanto em comunidades indígenas e ribeirinhas. Nesse sentido, este trabalho propõe analisar, sob uma perspectiva etnográfica, as interseções entre gênero, dinheiro e comércio na realidade local. O objetivo é descrever, a partir da experiência das mulheres indígenas Kokama, o processo de comercialização de produtos, sobretudo alimentícios, que circulam da roça para a cidade e da cidade para as comunidades. O campo da pesquisa situa-se no sudoeste do estado do Amazonas, na região do Alto Rio Solimões, onde o fluxo constante de pessoas entre os três países produz uma conjuntura transnacional, transfronteiriça e interétnica.
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