Povos indígenas no cenário das discussões sobre desenvolvimento sustentável: contextualização das propostas dos povos indígenas do Alto Rio Negro
DOI:
https://doi.org/10.29327/233099.12.1-2Palavras-chave:
desenvolvimento sustentável, povos indígenas, Alto rio Negro, SustentabilidadeResumo
Neste artigo são evidenciadas as discussões acerca da noção de desenvolvimento sustentável, particularmente o panorama da apropriação e ressignificação desta pelos povos indígenas. Como foco de análise apresenta-se a participação dos povos indígenas do alto rio Negro, representados pelas associações formais que compõem a Federação das Organizações do Rio Negro (Foirn), na elaboração de projetos e programas de desenvolvimento sustentável com o propósito de viabilizar alternativas econômicas sustentáveis, valorização da diversidade cultural e dos conhecimentos dos povos indígenas da região. Dentre essas propostas destaca-se o Programa Regional de Desenvolvimento Indígena Sustentável (PRDIS) e o Sistema de Sustentabilidade do Rio Negro, estruturados pelos indígenas e seus parceiros – organizações governamentais e entidades do terceiro setor – especificamente o Instituto Socioambiental que é parceiro da Foirn há 25 anos. As discussões empreendida neste artigo são feitas a partir da análise de referenciais teóricos e de pesquisa documental em fontes como os relatórios e os documentos produzidos nos eventos realizados pela Foirn, tais como encontros, seminários, fóruns e assembléias nos quais foi tratada a questão da sustentabilidade da região. De modo a evidenciar a importância do protagonismo dos povos indígenas em torno da conservação de seus territórios, apresenta-se a trajetória do movimento indígena, a constituição de suas associações formais na luta pela demarcação das terras e sua mobilização político-cultural demandando a implementação de políticas públicas para a conservação das terras. Considera-se que essa trajetória fornece elementos importantes para a compreensão dos mecanismos de participação utilizados pelos povos indígenas no contexto atual, como a apropriação por parte destes de categorias não indígenas, utilizadas como instrumentos para o fortalecimento da identidade étnica e de suas formas peculiares de instituição representativa e de autonomia.
Downloads
Referências
ALBERT, B. O ouro canibal e a queda do céu: uma crítica xamânica da economia política da natureza (Yanomami). In: Pacificando o branco: cosmologias do contato no norte-amazônico. ALBERT, Bruce; RAMOS, Alcida Rita (Orgs.). São Paulo: Editora Unesp / Imprensa Oficial do Estado, 2002.ALMEIDA, A. W. B. de.; SHIRAISHI NETO, J.; MARTINS, C. C. Guerra Ecológica nos Babaçuais: o processo de devastação dos palmeirais, a elevação do preço de commodities e o aquecimento do mercado de terras na Amazônia. São Luís: MIQCB, 2005.CABALZAR, A. Organização social Tuyuka. Dissertação de Mestrado. Departamento de Antropologia Social, Universidade de São Paulo. São Paulo, 1995.CAVALCANTE, C. (Org.). Meio Ambiente, desenvolvimento sustentável e políticaspúblicas. 2.ª ed. São Paulo: Fundação Joaquim Nabuco, 1999.CNUMAD – Comissão Mundial sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento. Nosso Futuro Comum. Rio de Janeiro: FGV, 1991.FEDERAÇÃO DAS ORGANIZAÇÕES INDÍGENAS DO RIO NEGRO ( FOI R N/ISA). Povos Indígenas do Rio Negro: uma introdução à diversidade socioambiental do noroeste da Amazônia brasileira. São Gabriel da Cachoeira: Foirn; São Paulo: ISA, 2006.__________. Associações Filiadas à Foirn. São Gabriel da Cachoeira: Foirn, 2012.FURTADO, C. O Mito do Desenvolvimento Econômico. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1998.LEFF, E. Ecologia, capital e cultura: a territorialização da racionalidade ambiental. Petrópolis, RJ: Vozes, 2009.JACKSON, J. The Fish People: linguistic exogamia e Tukano identity in northwest Amazonia. Cambridge: University Press, 1983.LIMA, A. C. de S. Povos Indígenas no Brasil contemporâneo: de tutelados a “organizados”. In: Povos Indígenas: projetos e desenvolvimento II. SOUZA, C. N. I. de S. et. al. Brasília: Paralelo 15; Rio de Janeiro: Laced, 2010.LEITE LOPES, J. S. Sobre processo de “ambientalização” dos conflitos e sobre dilemas da participação. Horizontes Antropológicos. Porto Alegre, ano 12, n.º 25, 2006.MORIN, E; KERN, Anne Brigitte. Terra-Pátria. Porto Alegre: Sulina, 2000.PARESCHI, A. C. C. Projetismo e Desenvolvimento Sustentável: o caso dos Pequenos Projetos. In: Hileia – Revista de Direito Ambiental da Amazônia, n.º 3, Manaus, Edições do Governo do Estado do Amazonas / Secretaria de Cultura / UEA, 2004.PERES, S. C. Cultura, política e identidade na Amazônia: o associativismo indígena no baixo rio Negro. Campinas, SP, 2003. Tese de Doutorado em Ciências Sociais, Departamento de Antropologia, Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade Estadual de Campinas.PIMENTA, J. O caminho da sustentabilidade entre os Ashaninka do rio Amônia – alto Juruá (AC). In: Povos Indígenas: projetos e desenvolvimento II. SOUZA, C. N. I. de S. et. al. Brasília: Paralelo 15; Rio de Janeiro: Laced, 2010.SECRETARIA DE ESTADO PARA OS POVOS INDÍGENAS (SEIND). Participação da Secretaria na criação do Sistema de Sustentabilidade do Rio Negro. Disponível em: http://portaldaseind.blogspot.com.br/. Acessado em: março de 2012.
Downloads
Publicado
Como Citar
Edição
Seção
Licença
Copyright (c) 2013 Jocilene Gomes da Cruz, Doris Aleida Villamizar Sayago

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution 4.0 International License.
A Somanlu: Revista de Estudos Amazônicos faz uso de licença Creative Commons de atribuição (CC BY 4.0)


