Por entre rios, igarapés, terra firme e igapós, minha formação se faz:
a trajetória dos alunos da Liga Acadêmica de Saúde da Família e Comunidade na Amazônia no ano de 2023 e 2024
Keywords:
formação em saúde; Fenomenologia existencial; extensão universitária; interprofissionalidade.Abstract
Este artigo relata a trajetória formativa de estudantes da Liga Acadêmica de Saúde da Família e Comunidade (LAESC.AM) na Amazônia (2023–2024), compreendida sob horizonte fenomenológico-existencial. Trata-se de relato de experiência com abordagem qualitativa. As narrativas de discentes de diferentes cursos da saúde foram recolhidas por formulário on-line e analisadas segundo referenciais da fenomenologia descritiva (descrição do vivido, redução/epoché e síntese eidética), dialogando com a Clínica dos Três Olhares. Os resultados indicam que a formação se produz no encontro com territórios e pessoas, articulando ensino, pesquisa e extensão em ações como campanhas educativas, mutirões e projetos comunitários. Emergiram sentidos de intercorporeidade, pertencimento e responsabilidade ética; tensões institucionais foram ressignificadas como aprendizagem; e a interprofissionalidade apareceu como força do cuidado. Conclui-se que, na Amazônia, formar-se é um processo relacional, corporal e temporal, tecido entre rios, igarapés, terra firme e igapós: continuidades, gestos discretos, bases éticas e momentos de transbordamento que sustentam um vir-a-ser em saúde.