A clínica racializada:
reflexões de psicóloga(o) racializadas sobre o fazer clínico
Palavras-chave:
Clínica racializada; Escrevivência; Psicologia; EpistemicídioResumo
O ensaio dialoga com autoras/os/es que problematizam a colonialidade do saber e do ser, enfatizando que o sofrimento psíquico de sujeitos racializados não pode ser compreendido de forma dissociada das violências históricas, estruturais e simbólicas que atravessam suas existências. Ao longo do texto, são discutidos os limites de uma clínica fundada em modelos universalizantes e medicalizantes, bem como a necessidade de despatologizar experiências marcadas pelo racismo, pela exclusão e pelo luto coletivo. A escrevivência é mobilizada como gesto político e metodológico que permite reinscrever a partir do fazer clínico racializado como espaço de escuta implicada, cuidado coletivo e reencantamento da vida. Ao recusar um fechamento conclusivo, o artigo afirma a clínica racializada como prática em permanente construção, convocando a psicologia a ampliar suas epistemologias, seus referenciais e seus modos de formação, de modo a sustentar uma clínica comprometida com a vida, a memória e a continuidade dos povos historicamente marginalizados.