A violação da infância contemporânea pela medicalização infantil:
entre sensos, consensos e dissensos!
Palavras-chave:
Infância; medicalização; farmacologia; princípios éticos; contemporaneidadeResumo
Democracia, tolerância, respeito à diferença, convívio pacífico entre grupos diversos são princípios que permeiam as sociedades contemporâneas e se tornaram experiências muito presentes em nosso cotidiano moderno. No entanto, quando as crianças não se comportam nesses padrões, a opção mais frequente é a medicalização. Tal processualidade experiencial, entretanto, deixa de ser exceção e se transforma em regra. Essa tendência faz os direitos das crianças se tornarem apenas letras mortas, quando não são vilipendiados, violados abertamente. O objetivo deste ensaio teórico é discutir a pluridimensionalidade de uma ação que tem sido característica em nossa contemporaneidade, a medicalização da infância e todo o arcabouço de mudanças e transformações aí presentes. É um estudo sob o viés qualitative de pesquisa, utilizando como método o bibliográfico. São trazidas questões relativas a: Contexto histórico e sociocultural da infância, Conceitos centrais: medicalização, patologização e normalização, Mecanismos de medicalização infantil na prática clínica, Evidências empíricas: impactos na saúde, no desenvolvimento e na autonomia infantil!, Críticas e perspectivas teóricas, Implicações éticas e políticas públicas, Alternativas e caminhos possíveis: abordagens interdisciplinares e centradas na criança. Portanto, as ponderações feitas não se opõem à farmacologia, mas sim à decisão de fazer da farmacologia a primeira escolha em situações que permitem decidir por alternativas mais seguras e que favorecem o desenvolvimento saudável, contextualizado e integrado da criança. A infância é uma construção histórica, é um tempo da vida que se constrói e se vive, não um “ciclo da vida” natural em sentido estrito.