Racismo, Resistência Política de Inclusão:
Mapeando a produção científica sobre a exclusão étnico-racial
Palavras-chave:
Exclusão social; saúde mental; políticas públicas; racismo estrutural; questões étnico-raciais; vulnerabilidade social.Resumo
A exclusão social e as questões étnico-raciais estruturam desigualdades no Brasil, com ênfase nos impactos sobre a saúde mental e na efetividade das políticas públicas. A partir da revisão dos estudos sobre a temática, identificou-se que grupos historicamente marginalizados, como mulheres negras, população em situação de rua, crianças e adolescentes em vulnerabilidade, idosos, quilombolas e pessoas LGBTQIAPN+, vivenciam discriminações persistentes, negligência institucional e dificuldades de acesso aos serviços essenciais. No campo da saúde mental, observa-se que o racismo estrutural e as condições socioeconômicas adversas intensificam o sofrimento psíquico e limitam a oferta de um cuidado equitativo. Em relação às políticas públicas, verificou-se que, apesar de avanços normativos, permanecem fragilidades na implementação e na articulação intersetorial, o que contribui para a continuidade de violações de direitos, abandono e invisibilidade social. No âmbito das questões étnico-raciais, os estudos demonstram que práticas higienistas, estigmas históricos e desigualdades raciais ainda organizam as relações sociais, reforçando a marginalização do corpo negro e a reprodução de violências simbólicas e institucionais. Destaca-se a relevância da socialização étnico-racial e da atuação de mulheres negras no fortalecimento identitário e na construção de práticas antirracistas no Serviço Social. Conclui-se que enfrentar a exclusão social exige políticas públicas integradas, ações antirracistas e uma prática profissional comprometida com a equidade e com os princípios do Projeto Ético-Político do Serviço Social.